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Domingo sem ele.

Foi assim que ele perguntou se eu queria casar com ele. Perguntei, segurando o estalar de uma euforia, se ele estava falando sério.



Não teve pedido de namoro. E talvez você já esteja careca de saber disso. Não teve uma longa espera. Teve um ano turbulento entre passagens aéreas.



Sempre tive certeza que casaria e teria filhos. Talvez porque sou fruto de uma educação tradicional, talvez porque acreditei nos contos de fada, talvez porque eu seja mesmo afinal uma romântica inveterada. Sei lá. Fato é que eu acredito no amor.



Acredito no amor de verão, intenso e passageiro e infiro até que a serra acabe. Acredito no amor mal resolvido que arde o peito enquanto não se resolve, ainda que seja para sempre. Acredito em paixões que avassalam e deixam rastros doloridos nos peitos que passam. E acredito no amor dos dias que passam, da rotina que se instala, do bom dia com café passado.



Acredito no para sempre. Mas porque acredito que o para sempre se faz todos os dias. No deixar de ir num compromisso adiável para tomar um café com o amorzao no meio da tarde. No escolher um novo seriado embaixo de um cobertor quentinho. No dar aquele abraço apertado quando tudo desaba e não tem nada a ser falado. Acredito nesse amor que é nut



rido por uma relação que se faz pelo afeto diário.



- nenhum amor supera tudo. Nenhum amor conserta relação. Nenhum amor supre a falta de carinho de cuidado de companheirismo. É o inverso: o amor cresce, expande e cria raizes através de tudo isso -



Sou uma emocionada, é verdade. Uma esposa emocionada. Uma mãe emocionada. Uma advogada emocionada. Uma amiga emocionada.



As vezes me perco nas minhas intensidades, é verdade. Não seguro palavras de amor, nem escondo meus afetos. Pelos meus viro a cara de meu signo de agosto. E talvez por isso mesmo encontrei paz num amor tão imensamente calmo dos nossos dias em total sintonia, depois que o filho dorme.



Quando me perguntam como é meu casamento eu digo: sabe quando você precisa voltar pra casa depois de muitos dias de viagem? Sabe aquela sensação de chegar em casa, vestir seu pijama, deitar na sua cama? Então, é essa a sensação.



Domingo sem ele dá saudade. Então eu escrevo.





 
 
 

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© 2021 por Iza de Macedo

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